Distantes Trovões

04/02/2010 08:27

Fevereiro é provavelmente o mês mais murrinha do ano. Não tem aquela empolgação (e fogo de palha) de vou-fazer-tudo-diferente-este-ano de janeiro, nem tem a redenção e a esperança de começar o outono em março. Fevereiro é mais um mês para viver um dia de cada vez e sobreviver ao forno nosso de cada dia, mas se a gente colocar ação em movimento dá uma aliviada. Ontem, depois de descobrir que Tony Almeida não está do lado do ditador africano e sim trabalhando disfarçado com Bill Buckanan, e por isso foi sequestrado da custódia do FBI por Jack, debaixo de muito tiro, passei duas horas no ar-condicionado emprestado do Fernando para analisar o Capítulo Dois – Tarde, que terminei sábado passado. Aliás, coloquei Thelonius Monk e John Coltrane ao vivo no Carnegie Hall para me fazer sonhar com o frio, só o jazz para me fazer passar pelo verão, e sábado vamos gravar Legend lá naquele xarope do Vaner (ainda bem que ele não lê este blog, não é mesmo, Giuliano?). Se a equalização ficar boa, em breve teremos um disquinho.



enviada por Daniel Rocha



18/01/2010 19:47

Faz não sei quanto tempo que não escrevo um post no dia do meu aniversário, mas decidi evitar a procrastinação hoje, e escrever hoje – e hoje é meu aniversário. De trilha, o cara que tem orquestrado vários pensamentos nos últimos dias; na verdade, depois do post abaixo redescobri Glenn Hughes (já tinha um carinho especial quando descobri que ele também se aposentou da esbórnia), e músicas como “Crave”, “Satellite”, “Love Communion” (essa tem video no youtube) e “Where Theres a Will” tem feito meu espírito viajar, sonhar com imagens, livros, histórias cujas palavras ainda não consegui captar. Mas que bom que a coisa não morreu. Talvez jamais morra, e isso me ajuda a gostar da idade que inicia hoje para este caprica em busca de mais constância e disciplina.

Nas trilhas das próximas semanas (e antes e depois de começar a sétima temporada de Jack Bauer e tua turma), teremos “O Quinze” de Rachel de Queiroz, “Mulher no Escuro” de Dashiell Hammett, “Cem Anos de Solidão” (minha querida Alice, que também me deu “O Quinze” por isto, disse que tenho que pegar mais ficção, e me convenceu a ler antes de “Viagem à Semente”, que conta a biografia de Gabriel Carcia Marquez, e estou há quase dez anos para ler ambos), “O livro dos livros perdidos”, de Stuart Kelly (com dedicatória da Dna. Eneida), e ainda tenho que terminar meu “Viver e Escrever Vol.1”, da Edla Van Steen.

Beleza. Estamos ficando gente grande.

Vai ser um ano e tanto.



enviada por Daniel Rocha



05/01/2010 19:17

Destilando aqui na cidade-sorriso de Forno Alegre, vivendo um dia de cada vez na claustrofobia que é todo verão, decidi mandar embora a sagrada procrastinação e escrever agora. Nem adianta repescar as mesmas desculpas de sempre para deixar para março, para o frio, para o ano que vem. Hoje é o ano que vem. De qualquer forma, li hoje a entrevista de um escritor pródigo que me aliviou, por eu entender que cada um tem a sua história e suas dificuldades. Logo: não podemos nos comparar com ninguém. Somos únicos, com aquilo que isso traz de bom e de ruim.

Tentar ser um pouquinho melhor do que fomos ontem, e isso já não é pouca coisa. Fiquei pensando em qual trilha orquestraria o primeiro post de 2010, mas optei por ficar apenas com o som do ventilador e dos grilos ao fundo, já que temos leitores de diferentes vertentes musicais neste blog. O corpo cansa mais rápido, esse calor não é mole. Meus dedos ainda funcionam, ainda consigo simplesmente sentar e escrever, achei que ia ter mais trabalho para redigir este post. Mr. Giu Wylde, Matheus e eu em breve pretendemos tirar a ferrugem e pesar o som no estúdio. Também quero praticar o backstick (tocar com a baqueta invertida) e o flam (nota fraca, nota forte na caixa e bumbo) que enfim estou aprendendo.


(em tempo: acabo de perder um trecho importante deste post, que esta porqueira não salvou. ia comentar sobre o dia em que terminei o um pouco eterno livro, sobre o post histórico que escrevi na época, sobre o reveillon em que completei 4 anos longe da esbórnia, sobre os rascunhos que comecei a escrever há mais de 3 anos, mas deixa para amanhã. nem sempre se pode vencer a procrastinação.)



enviada por Daniel Rocha



10/12/2009 18:25

Achei que tinham sido 1517 inscritos no concurso de contos curtos de Porto Seguro, mas esse é o número dos inscritos para crônica. O de contos foram 3305, dos quais selecionaram 100 que vão ser publicados em uma coletânea no ano que vem.

Entre eles, meu "Uma Simples Presença".

Vamos que vamos.



enviada por Daniel Rocha



14/11/2009 13:08

Agora também estou no portal Artistas Gaúchos. Vim aqui só para registrar, enquanto tomo um chimas e folheio as três cópias do meu rebento para conferir uma a uma das 163 páginas com espaçamento um e meio a serem enviadas para um concurso esta semana.

A luta continua.


enviada por Daniel Rocha



24/10/2009 15:01

Ah, sim. Para não dizer que deixei engavetado, este é o conto em menos de 400 caracteres para aquele concurso-do-café-granulado:


Esquento o café, tomo mais um gole, faço uma oração. Sorrio para o espelho, agradecido. Contemplo meu amor, espero a vinda da filha que ainda nem foi feita. Leio mais um conto, escrevo outro parágrafo. O dia cinza lindo, minuano do sul, nada pode esfriar meu espírito quando tenho um sonho a seguir.



enviada por Daniel Rocha



10/10/2009 06:35

Acordei hoje a fim de viver o dia de hoje, sábado de manhã, vendo e ouvindo o saudoso grande guitarrista Wander Taffo (muito fera, né, Wylde?) com os irmãos Busic no Xou da Xuxa em 1990, sweet memories, tocando “Pra dizer adeus”. Meu escritório está maravilhosamente bagunçado, e hoje vou lavar a louça ao som de Taffo. Enquanto tomo meu chimas e ouço os two hands de Taffo solando na Xuxa, que fazem meu espírito se elevar, decidi retomar uma reforma neste blog, que fiquei devendo para o Divan há tempos. Não sei bem como vou fazer isso, mas querer fazer já é um começo e tanto.

Aguarde novidades, Leitor Fiel do distantes trovões on line.



enviada por Daniel Rocha



15/09/2009 11:32

Ainda não é meio-dia, no primeiro dia sem chuva em uma semana, quando coloco pra rodar o Chickenfoot. Sente a line up: Sammy Haggar no vocal, Joe Satriani na guitarra, Michael Anthony no baixo e Chad Smith na bateria. Saber que existe um lance desses me faz continuar acreditando e manter a chama acesa, parecido quando soube do Velvet Revolver há alguns anos. Ia ver uns vídeos deles no youtube, mas o maldito flash player resolveu boicotar o meu computer, tudo porque caí na bobagem de instalar uma atualização pedida para ver a tal entrevista do Fabio Assunção, e agora não consigo ver vídeo nenhum. Pelo menos os mp3 funcionam e posso ouvir o Chicken, que descobri lendo uma entrevista de Michael Anthony em uma revista especializada sobre baixo. Vale a dica.

Semana que vem temos concurso de contos em Cachoeirinha, ainda tenho que decidir sobre que contos mandar, também vou escrever um mini pra matar as saudades, o conto do Nescafé em 400 caracteres, e sigo com minha novela. Não ando tão blogueiro assim, e é incrível como passar um tempo longe daqui faz meus dedos enferrujarem, mas tenho aprendido que escrever, o exercício diário da prática da escrita, é mais importante do que a necessidade de escrever bem, que pode bloquear – e bloqueia mesmo. Sinto uma saudadezinha do tempo distante das oficinas, ou de pelo menos ter um encontro semanal, um prazo e um compromisso de produzir sempre – faz uma grande falta ter alguém para discutir as angustias da criação, acredite.

Mas vamos nos virando do jeito que dá. Ainda não imprimi mais trechos da minha novela errante aguardando aquela bolsa para ler no papel (que não é, jamais vai ser, como ler no computador). Quem sabe acordo mais cedo e vou lá para meu ex-curso tomar um café no aquário da sala de estudos e trabalhar um pouco? Li a sugestão de acordar ali pelas 3, 4 da manhã para ler e escrever. Parece bem boa, ver o sol nascer, tomando um coffee, depois de já ter lido e escrito por um punhado de horas. Será que eu conseguiria? Você conseguiria? Bom, isso é assunto para amanhã. Por hora, acho que vou imprimir algumas páginas de meu novo rebento, fazer roncar a cuia, enquanto me apronto para picar a carne, a cebola, o alho e um pimentão – deu mais fome só de escrever – e armar aquele carreteiro. Ah, sim. Minha mãe apareceu no caderno de viagens da Zero Hora hoje. O texto de introdução é dela, sobre a Patagônia. Me despeço com “Down the drain”, acho que tem vídeo no youtube, aproveite você que tem um flash que funciona. Quem curte rock and roll nunca vai envelhecer.



enviada por Daniel Rocha



24/08/2009 16:57

But I ain't too young to realize

That I ain't too old to try.

Do além canta a voz de Bon Scott, orquestrada pelos acordes de Angus Young nesta jóia rara chamada "Ride on", que descobri recentemente. Um blues daqueles que gruda no ouvido, e daquelas melodias que dão aquela serena sensação de que nossas vidas estão fluindo, e indo para algum lugar seguro.

Esses dias estava comentando com Giuliano Wylde, meu grande camarada e fiel comparsa de rock and roll e ensaios no estúdio (enquanto não rola aquele galpão nos fundos de sua casa), me lamentando que ninguém lê este blog, ao que ele respondeu: ninguém comenta, mas pessoas que eu nem imagino lêem. Pode ser mesmo, porque de vez em quando ouço um "distantes trovões" de pessoas que eu jamais imaginaria. Mas enfim, sigo firme no meu compromisso de escrever diariamente - coisa que levei longos meses para conseguir - e as coisas estão vindo.

E pensar nesta antevisão das coisas que estão chegando me deixa feliz.




enviada por Daniel Rocha



21/08/2009 14:53

Para não deixar passar despercebido o mês das vocações, escrevo ao som de Jeff Healey, o genial e saudoso blueseiro cego que tocava com a guitarra deitada no colo tocando sua versão de “Shapes of Things”, que fez meu espírito flutuar sábado passado e me fez ver, mais uma vez, que tudo é possível. Coisas boas vindo aí, já antevejo com convicção – mas deixa eu ficar na minha uma vez na vida, antes do rufar de tambores e o momento-holofotes.

Desde algum tempo, tenho conseguido o milagre de escrever – com compromisso – religiosamente todas as noites. Não dormir sem escrever: uma frase, duas frases, um parágrafo, um página inteira, não importa. Desde que seja diário. Comecei faz pouco o magistral “Oficina de Escritores”, de Koch. Quem escreve tem que ler. Tem algumas pérolas como: só existe uma maneira de começar. É começar agora. "Escreva depressa, ande sempre com um bloquinho, não confie na memória". E diz que a fé, a convicção e a técnica só se adquirem com a escrita, e não o contrário. Segundo Koch, e os vários autores que cita, todos os escritores do mundo são inseguros. Mesmo tendo uma certa petulância de escreverem o que pensam, têm uma necessidade de aprovação.

E acrescenta que para se ter o dom, é preciso ter coragem. Sem ela, nem esse nem qualquer outro dom (ou vocação) vai muito longe. Então seguimos, plantando e plantando. Não mais como uma breve esperança, mas com convicção. E coragem.



enviada por Daniel Rocha



25/07/2009 14:17

Enquanto leio sobre o Dia do Escritor, hoje, e o que cada um acha que deve significar o ofício, Sonny Rollins sola All the things you are, e penso em todas as coisas que você é, que eu sou, que podemos ser, que ainda seremos e que, como disse Luther King, graças a Deus não somos mais. Tenho conseguido escrever todos os dias, gerando aos poucos meu nascituro livro, esculpindo com dificuldade cada palavra, cada frase. Nenhum dia sem uma frase(zinha). Como é difícil escrever, lutar como contra o Mike Tyson, com uma infinidade de diabinhos como a preguiça, a procrastinação e a fé nem sempre tão convicta.

Meu brinde hoje é com café e chantilly, chimas na tarde, escrevendo em casa solito com Sonny. E pensando em todas as coisas que você é. Que nós somos, que vamos ser, que havemos de ser.



enviada por Daniel Rocha



12/07/2009 01:21

Coincidentemente ou não, enquanto escrevia o post abaixo, morria Michael Jackson, e o texto de hoje era para ter registrado minha emoção ao ver duas vezes no mesmo dia a cerimônia de seu funeral, talvez em especial pelas palavras de Martin Luther King III, citando seu pai, dizendo que temos que encontrar nosso dom, e que existe um chamamento de Deus para que a gente faça alguma coisa, e depois que a gente descobre o que é, tem que perseguir ser o melhor, fazer nossa luz brilhar, mesmo que seja varrer ruas. Que a gente varra ruas como Beethoven escrevia suas músicas, como Shakespeare escrevia suas poesias, como Rafael pintava seus quadros. E então céu e terra dirão “aqui viveu um varredor de ruas que fez o seu trabalho muito bem”.

Não lembro se já comentei por aqui, mas alguns meses depois que batizei o livro que estou escrevendo, descobri que Michael Joseph Jackson compôs uma música com o mesmo nome, e senti uma onda bem espiritual quando ouvi trechos dessa música no tributo. Como, citando o discurso de Luther King, se Deus Altíssimo estivesse me convidando para escrever. Palavras bonitas, mas que se não colocadas em prática são poesia, mas jogada ao vento. Então, finalmente terminei de ler a cópia do 1/3 de livro que mandei para a Biblioteca Nacional, concorrendo a uma bolsa com mais 642 carinhas, cujo resultado sai daqui a alguns dias, e comecei a rabiscar o segundo de três capítulos. Daqui a algumas horas teremos o concurso para o qual fiz curso nos últimos meses, e neste começo de madrugada uma gripe se insinua. O edredom às minhas costas está altamente convidativo. Vou rabiscar umas mal traçadas antes, e depois sonhar com as palavras de Martin:

Seja um arbusto se você não pode ser uma árvore. Se não pode ser uma rodovia, seja uma estradinha. Se não pode ser um sol, seja uma estrela. Porque não é pelo tamanho que você ganha ou perde. Seja o melhor de seja lá o que você for.

Que todos nós possamos ser inspirados a seguir e deixar nossa luz brilhar.



enviada por Daniel Rocha



25/06/2009 18:17

Hoje.

Hoje decidi escrever porque é dia 25. E amanhã vou escrever porque será 26. Semana que vem, 29 e 30, e assim vamos, um dia de cada vez. Now’s the time. Aliás, tinha escolhido o clássico de Charlie Parker para servir de trilha hoje, mas fuçando no youtube achei Cannonball Adderley at the Village Vanguard, e é isso que vou guardar como o espírito do momento.

Hoje escrevi as primeiras frases do segundo de três capítulos do meu novo rebento. E hoje começou o julgamento do 1/3 de livro concorrendo a uma bolsa da Biblioteca Nacional, aí do post abaixo. Sim, consegui escrever tudo a tempo, e mandei por Sedex com AR, que aliás ainda não chegou na minha casa, mas como dizem que Deus está no controle da espaçonave, estou em paz. O legal é que, pela primeira vez em tempos, escrevi pelo prazer único de escrever. Só isso. Sentar e escrever, simplesmente, não é a mesma coisa que sentar e escrever uma obra que vai mudar os rumos da literatura, nos render fortuna e glória e – claro – uma entrevista no Jô.

Hoje só quero escrever este livro, e seguir escrevendo até o fim. Digamos: o segundo capítulo até o fim de setembro e o terceiro até a metade de dezembro. Com um pouco de disciplina, mais o exercício diário, até que seja algo natural. Ler muito, escrever muito. Não tem atalho. Nem influências de fora, rufar de tambores. Apenas o dia de hoje. O passado não existe, o futuro se semeia hoje. Aqui e agora. O melhor momento para viver, para ser feliz. Para tentar. E tentar está acima de ganhar ou perder. É a parte que nos cabe. O resto está nas mãos do piloto da espaçonave.



enviada por Daniel Rocha



11/06/2009 02:49

A parte boa é que acabo de concluir o 1/3 do livro que precisava para concorrer a uma possível bolsa. A parte ruim é que hoje é feriado de Corpus Christi e amanhã, Dia dos Namorados, é o último dia para mandar o livro por Sedex. Se os correios e os xerox (tenho que tirar cópias, do livro e de alguns documentos) fizerem feriadão, babaus. Bom, mas aí – como sempre – está nas mãos do Divino. A minha parte eu fiz. Minha coluna que o diga. Hoje, inclusive, depois de uma semana procrastinando desde o post abaixo, consegui ir para a sala-aquário de estudos do curso e fazer os ajustes finais no texto. Claro, falta aquela revisão básica antes de imprimir e encadernar. Mais o cronograma dos meses em que será construído o restante da narrativa.

Enquanto isso, aproveito o chimas na madrugada fria de Porto Alegre.

Morfeu me chama.

Missão cumprida por hoje.



enviada por Daniel Rocha



03/06/2009 17:48

"O escritor não precisa de liberdade econômica. Tudo de que precisa é de lápis e papel. Eu nunca soube que algo bom em literatura tivesse se originado da aceitação de uma oferta gratuita de dinheiro. O bom escritor nunca pede auxílio a uma instituição cultural. Está ocupado demais escrevendo alguma coisa. Se não é um escritor de primeira classe, ilude-se dizendo que não tem tempo ou liberdade econômica. Pode surgir arte boa de assaltantes, contrabandistas ou ladrões de cavalos. As pessoas na verdade têm medo de descobrir que podem suportar muita adversidade e pobreza. Têm medo de descobrir que são mais resistentes do que pensam. Nada pode destruir o bom escritor. A única coisa que pode alterar o bom escritor é a morte. Os bons não têm tempo para pensar no sucesso ou em ganhar dinheiro. O sucesso é feminino e como uma mulher; se você se curva diante dela, ela passa por cima de você. Então o jeito de tratá-la é dar-lhe as costas da mão. Aí, talvez, ela venha a rastejar".

William Faulkner



Aos primeiros minutos de junho, soube da possibilidade de uma bolsa para se escrever um livro, durante alguns meses, desde que ele esteja 1/3 escrito até o Dia dos Namorados. Aí pensei que - et voilá - a história na qual tenho me amarrado tem justamente três capítulos. Nenhum concluído, claro, mas tudo o que tenho que fazer é terminar o primeiro nos próximos dias.

E então, com o término do curso por onde andei todas as manhãs nos últimos meses, e eu preocupado em encontrar um lugar sereno para escrever, ao sair da aula hoje me dei conta que eles têm salas de estudo que ficam de banda. E tive a maravilhosa idéia de continuar levantando cedo nesse frio e ir lá produzir, rabiscar, ler livros. Dá até para - imagine - estudar. Quer dizer, se meu trabalho é escrever, como todo mundo, tenho que trabalhar.

Hoje conheci a história de um cara que disse para um tetraplégico parar de reclamar e seguir lutando, e graças a isso ele viveu mais 22 anos, fazendo palestras, feliz da vida. Na última agência que trabalhei, long time ago, a dona da empresa, quando me chamou na salinha para dizer que meu contrato não ia ser renovado, disse que se eu levantava às 7 para ir pra lá, que levantasse às 7 e fosse escrever. Na verdade, eu levantava às 6.

E é o que vou fazer nos próximos dias. E não pra ganhar a bolsa, ter sucesso, grana, whatever. Simplesmente porque escrever é o maior barato, e escrever é o meu lance. Simple as that. E levo isso tão a sério que vou até pular das cobertas neste frio horrendo. E trabalhar um pouquinho.




enviada por Daniel Rocha






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